quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

I... Sifú Seguros


No Rio de Janeiro, uma empresa de seguros está usufruindo dos serviços de “caricaturas instantâneas” de alguns de nossos coleguinhas cartunistas. A tal empresa está pagando a bagatela de 5,00 por cada “desenhozinho”.
Minhas mãos estão coçando, doidas para escrever alguma coisa sobre o assunto, mas há quase dois anos, ganhei alguns desafetos depois que escrevi um textinho sobre uma famosa editora de passatempos que pagava 35 pratas por uma caricatura. Sinceramente, não valeu o desgaste. A tal editora continua aumentando seus domínios no mercado editorial, e os desenhistas (alguns que atuam na grande imprensa) continuam achando o máximo desenhar para eles por uma merreca. A tal empresa de seguros que agora aparece oferecendo 5,00 por um desenho, apenas mirou-se no exemplo da editora famosa e usou do mesmo canto da sereia desafinada para seduzir nossos pobres coleguinhas.
É... Mas o melhor mesmo é deixar pra lá. Cada desenhista sabe o quanto vale! Que se dane esse mercado de merda!

8 comentários:

Ivo Favero disse...

Pois é Zé...todos os que trabalham com desenhos são reféns de situações como essa. Os valores são muito diferentes...é lógico que para alguém que está iniciando e não sabe o quanto cobrar, o valor vai ser muito baixo mesmo. Mas a medida que for pegando experiência, dar valor ao próprio trabalho significa ter dignidade...

Zé Roberto Graúna disse...

Oi, Ivo Favero! Um honra ter seu comentário aqui.
Bom... O problema todo é que, pelo que sei, os artistas envolvidos não são iniciantes. Aliás, o artista que negociou todo o processo é um cartunista bastante experiente (além de muito talentoso).
Infelizmente tem muitos colegas, inclusive que atuam na chamada grande imprensa, que aceitam valores ridículos como os citados no post.
Abração!

Érico San Juan disse...

Já passei por situações de negociação que me deixaram amargurado. Havia um grupo de cartunistas conhecidos meus, até amigos, que iriam renovar um contrato com um jornal: com trabalho aumentado e rendimento proporcionalmente diminuído. Achei um desaforo e sugeri uma contraproposta em conjunto. Um dos queridos colegas se antecipou, sem consultar o grupo, e foi falar da contraproposta ao jornal, com o claro propósito de me prejudicar. Acabou que isso enfraqueceu mais ainda nossa capacidade de negociação, e o jornal fez o que bem entendeu com cada um dos envolvidos, diminuindo ainda mais os já baixos valores de antes. Ninguém é obrigado a aceitar o que não quer, desde que deixe isso claro. Mas é bem mais fácil tentar destruir a credibilidade alheia. Uma pena, pra dizer o mínimo. Um abraço, Zé.

Zé Roberto Graúna disse...

Érico...
Seu depoimento é extremamente importante e confirma uma prática, infelizmente comum nesse meio, que destrói qualquer possibilidade de negociação com quem tenta nos enfiar goela abaixo seus desvalorizados pagamentos.
Lamentavelmente, mesmo não sendo a maioria, esses colegas de trabalho, muitos deles aparentemente pessoas legais, com bom papo e ótimas companhias para reuniões em barzinhos, não passam de pragas que atuam como ervas daninhas. Suas práticas “apaziguadoras” e “conciliadoras” preocupadas muito mais em manter seus empreguinhos ou seus espaços, acabam destruindo o mercado como um todo, nivelando por baixo índices de pagamentos cada vez menores.
Não é por acaso que muitos artistas talentosos sumiram na estrada e foram cuidar de suas vidas atuando em outras atividades.
Apesar de eu ter dito “dane-se esse mercado de merda!”, eu ainda acredito que com um pouco mais de seriedade e respeito as coisas podem melhorar. Mas sei que nada disso é fácil. Enfim, vamos batalhando. Abração!

- Clayton Rabelo - disse...

Olá mestre Zé, gde matéria!
Isso mostra mais uma vez que... pra fazer arte neste país, é só por amor, e tb pela necessidade de alimentar o nosso espirito quanto artista. Pq, no que se refere a profissionalismo, estamos fudidos. "Os valores estão sempre invertidos".
Me envergonho deste comentário, que só vem a reforçar um coro que já é velho, e fico mais preocupado ainda, quando vejo que não tenho a capacidade de achar uma solução, onde iremos parar...

Zé Roberto Graúna disse...

Clayton Rabelo... Não existe fórmula mágica nem decreto-lei que mude a mentalidade de nossos colegas que aceitam condições abaixo da crítica para trabalhar. O que é possível fazer (e deve ser feito), é que cada uma das pessoas que comentaram aqui (e no Facebook) e que concordaram com as críticas incluídas, devem começar a dizer NÃO para esses valores, assim como denunciar em seus perfis sociais e blogs.
Eu tenho certeza que essa postagem criou, no mínimo, desconforto, para o cartunista que agilizou e tratou do acordo que definiu os valores fechados com essa empresa de seguros. Se eu, ao saber disso, ficasse na minha, isso seria considerado normal para a tal empresa, e a vida continuaria seguindo como se nada tivesse acontecido.
Portanto, vamos todos por, literalmente, a boca no trombone!
Abração!

pedro cartunista disse...

GRANDE ZÉ!!! É COMPLICADO MESMO,CAMARADA!PELO MENOS AQUI,NA MINHA CIDADE,O PESSOAL QUE ESTÁ A MAIS TEMPO NO MERCADO DE TRABALHO,TEM PROCURADO SE VALORIZAR;CRIAMOS A UM TEMPO UMA TABELA E PROCURAMOS SEMPRE PASSAR A NOSSOS ALUNOS DE DESENHO ESSA PREOCUPAÇÃO COM A VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL.SER CARTUNISTA É TÃO LOUVÁVEL E IMPORTANTE QUANTO SER DENTISTA,MÉDICO OU PROFESSOR.E O PROFISSIONAL DEVE SIM SER VALORIZADO COMO TAL...SEI QUE É UMA LUTA,COMPANHEIRO,MAS ESTAMOS AÍ PRA ENGROSSAR O CÔRO EM BUSCA DE VALORIZAÇÃO;A IDÉIA DE PUBLICAR NA INTERNET NOSSO DESCONTENTAMENTO COM ESTE TIPO DE COISA É UMA BOA.ESTEJA SEMPRE CERTO DE MEU APOIO A VOCÊ;ÓTIMO TEXTO,PARABÉNS...ABRAÇÃO!!!

Camila disse...

O que essas empresas de seguros é muito desonesto