terça-feira, 6 de outubro de 2009

Meus amigos...


Nos próximos 30 dias devo ficar sem conexão na Internet, o que me obrigará a deixar de postar neste blog. Gostaria de pedir desculpas aos amigos internautas que diariamente visitam este espaço. Peço paciência a todos. Assim que eu resolver algumas questões de ordem particular volto a postar diariamente como antes. Até lá!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Desenho de Aylton Thomaz


Este é um dos mais famosos e comentados desenhos de Aylton Thomaz. A bela ilustração ficou conhecida graças aos volumes da obra de Jayme Cortez que editou preciosa coleção sobre ilustração. Aylton Thomaz retratou com perfeição e detalhes impressionantes uma cena típica de uma das muitas comunidades cariocas. Está tudo aí, os guris soltando pipa, as lavadeiras, cães e gatos de rua, a birosca, os camelôs, os músicos, a igrejinha no alto no morro, e até uma tenda espírita. Uma referência para qualquer desenhista dos dias atuais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Com a palavra o Bira Dantas


Graças a postagem sobre Aylton Thomaz e as questões da falta de memória da nossa mídia, recebi interessante mensagem do Bira comentando sobre o fato da nossa imprensa não dar a devida atenção aos nossos desenhistas, o que acaba deixando alguns dos nossos maiores mestres na total escuridão. O Bira é desses colegas que se preocupam com as questões coletivas de uma profissão que já é difícil por natureza, principalmente num país como o nosso. Quer dizer... Ele toca gaita muito bem, mas às vezes bota a boca no trombone. Leiam e comentem!

"Cara, eu conheci o trabalho do Aylton Thomas no livro A Técnica do Desenho do Jayme Cortez (até postei no meu Blog de caricaturas 3 páginas de caricas baseadas neste livro). Depois eu vi outros trabalhos dele, como a clássica cena da favela carioca (no livro de Ilustração do Jayme Cortez) e fiquei muito fã do jeito dele desenhar as perspectivas e as pessoas. Ele tinha esse toque especial de gênio, como Al Capp e Eduardo Vetillo, de captar as figuras populares e torná-las caricatas e engraçadas.
Realmente o Aylton Thomas era um Mestre (com "M" maiúsculo) e a nossa imprensa (com "i" minúsculo) não se digna a reportar as façanhas que heróis como ele fizeram.
Veja só, o grande e célebre caricaturista Sábat lançou livros na HQMIX Livraria (do Gualberto e da Dani) e ninguém da imprensa apareceu. Mal deram uma notinha na Folha ou no Estado.
Isso é uma vergonha!
E na tv a maioria dos programas não se salvam.
Salvo alguns documentários sobre Lan, Henfil, Jayme Cortez, Lapi, ou entrevistas com Elifas Andreato, Mauricio de Souza, Ziraldo, Vilachã, Moon e , o espaço para se promover a Memória do Desenho NAcional é ínfimo.
Infelizmente."

Desenho do Bira Dantas


Hoje recebi esse presentão aí! O Bira Dantas, que está em todos os lugares possíveis na Internet, fez a minha caricatura ao lado do genial Aylton Thomaz.
O Bira Dantas pode ser visitado neste endereço (que é um dos 352 blogs que o artista mantém na rede): http://caricasdobira.blogspot.com/. Visitem! O cara é muito bom!

E o Manohead me desenhou!


O Manohead é o autor da caricatura acima. O artista aproveitou que lá em casa o Prestobarba estava em falta e traçou minha carica sem dó nem piedade. Para o amigo internauta conhecer mais sobre o jovem cartunista visite a página http://www.manohead.com/. Cuidado, hein! Não deixe fotos soltas por aí... Você pode ser a próxima "vítima" do Manohead!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ainda sobre Aylton Thomaz...


A foto mostra o primeiro encontro que tive com o desenhista Aylton Thomaz, em 1991, no seu estúdio da Rua Joaquim Silva, na Lapa, Rio de Janeiro.

Aylton Thomaz, o desenhista brasileiro


O Brasil é um país miseravelmente sem memória. Mas isso, todos nós já estamos cansados de saber. Todo grande artista ou intelectual já deve ter dito isso algumas vezes por aí, mas não tenho medo de errar ao afirmar que, entre todas as classes artísticas nacionais, o desenhista é o que carrega a maior e mais pesada cruz quando se trata de reconhecimento.
É como se esse profissional fosse condenado ao anonimato e, por mais que seu trabalho faça sucesso, seja ele um grande caricaturista ou ilustrador, dificilmente um desenhista, mesmo no auge, é reconhecido nas ruas, e quando está aposentado é definitivamente esquecido. É claro que todos reconhecem o Ziraldo. Não tem Bienal do Livro que resista às intermináveis filas formadas por crianças e marmanjos em busca de um autógrafo do criador do Menino Maluquinho. Certa vez, o Ancelmo Góes disse que, se você quiser encontrar o Ziraldo numa dessas bienais, basta olhar do alto e procurar o estande com a maior fila. No final dela, estará lá, autografando seus livros, o cartunista mineiro de cabelos grisalhos. Mas o Ziraldo é uma raríssima exceção à regra. E isso nada tem a ver com talento. Ziraldo é como Pelé, um mistério a ser estudado pela ciência. De um modo geral, os desenhistas praticamente vivem no anonimato.
Comecei a organizar meus arquivos quando passei a estudar a história do desenho brasileiro entrevistando alguns dos nossos maiores mestres. Um dos primeiros artistas a me atender foi Aylton Thomaz, em julho de 1991. Depois, tive encontros com Nássara, Mendez, Quirino Campofiorito (que me atendeu na antiga redação do Jornal de Letras, em Copacabana), Augusto Rodrigues (que me apresentou suas pinturas no seu famoso estúdio no Largo do Boticário), José Geraldo, Carlos Chagas, entre outros. Alguns desses encontros geraram contatos posteriores e fortaleceram novas amizades, como no caso de Mendez e Aylton Thomaz.
Thomaz mantinha um estúdio montado num apartamento na Rua Joaquim Silva, na Lapa, Rio de Janeiro, imóvel que o artista comprou graças ao seu trabalho de escritor e educador, que gerou alguns livros pela Ediouro. Na época, gravei um depoimento sobre sua trajetória e fiz uma série de fotografias do artista em frente à sua prancheta. Nesse dia, ele nos contou que começou sua carreira aos 17 anos, quando trabalhou com Adolfo Aizen na Editora Brasil-América Ebal, pela qual arte-finalizava histórias em quadrinhos estrangeiras. Mais tarde, na mesma editora, passou a ilustrar clássicos de José de Alencar, entre outros autores consagrados. Trabalhou também com diversas agências de publicidade, até que passou a se dedicar à pintura. Voltei ao seu estúdio várias vezes e, quando realizei minha primeira exposição (no caso, uma exibição de caricaturas que retratavam Santos Dumont, em novembro de 1993, e que misturava desenhos de alguns dos meus alunos do Senac de Madureira com profissionais da qualidade de Guidacci, Mendez e Fortunato de Oliveira), enviei para ele um convite para a inauguração. Como Aylton Thomaz tinha para aquela data um compromisso já agendado, ele me telefonou para justificar sua ausência, sem deixar de me dar um puxão de orelhas: “Pôxa, Zé, como é que você organiza uma exposição e não me convida para participar? Da próxima vez, não esqueça do seu novo amigo!” Até hoje não me perdôo por ter dado essa bobeira. De fato, a exposição ganharia em qualidade com sua participação. Mas tive como me redimir um ano após, quando organizei outra exposição de caricaturas, desta vez num espaço ainda melhor, o Museu Nacional de Belas Artes, quando montamos a mostra “Imenso Cordão”, em homenagem ao cinquentenário do compositor Chico Buarque, em junho de 1994. Aylton Thomaz foi um dos primeiros artistas que incluí na lista dessa mostra coletiva. Assim que fechei todos os detalhes com o pessoal do MNBA, fui até seu estúdio para planejar a execução de seu trabalho. Durante os dias em que planejamos sua participação, Thomaz demonstrava bastante alegria e uma certa dose de nervosismo. Apesar de naquela época ser um pintor bastante conhecido nas galerias do Rio e em espaços culturais, Aylton Thomaz nunca havia participado de um evento naquele que era um de seus museus preferidos. O artista me confessou que seu sonho era poder expor seus quadros lá algum dia, e que essa primeira vez, mesmo numa coletiva, já valeria como uma grande exposição individual. Para homenagear o maior compositor da MPB, Aylton Thomaz pintou “O Anjo Tricolor do meu Rio”, onde se via um anjo tocando violão vestindo a camisa do Fluminense enquanto beijava uma mulata. Na cena víamos marinheiros, uma outra bela mulher e a paisagem ornamentada pelo Pão de Açúcar. O anjo, obviamente, tinha as feições do Chico Buarque. A exposição foi inaugurada e a única ausência sentida foi a do próprio Chico, que fugiu de todas as homenagens da época e se exilou em Paris. A exposição foi um sucesso de público e toda a imprensa deu considerável destaque ao evento. No dia seguinte à inauguração, Aylton Thomaz me ligou e entre muitos comentários me agradeceu por ter realizado seu sonho de poder expor no Museu Nacional de Belas Artes. Ao se despedir, arrematou um “Deus te abençoe!” e desligou. Infelizmente não o vi mais com a frequência que eu gostaria, mas alguns encontros casuais aconteceram ao longo dos anos. A última vez que o vi foi em frente à estação do metrô do Largo da Carioca, próximo à Avenida Rio Branco, onde Aylton Thomaz mantinha um ponto para vender seus quadros aos turistas. Nesse dia, contou ter descoberto que era diabético e que devido à doença já não enxergava como antes. Disse ainda que gostaria de se dedicar mais à atividade de escritor e que estava cheio de idéias para livros infanto-juvenis.
Nas últimas vezes que passei pelo Largo da Carioca, não o encontrei com seus quadros e cavaletes. Infelizmente, quando o procurei no seu antigo endereço ele não estava mais lá; havia deixado seu estúdio, alugando o apartamento da Joaquim Silva para poder manter em dia os impostos e o condomínio. Fiquei alguns anos sem saber notícias suas, e nem seus colegas do Largo da Carioca sabiam informar sobre o amigo.
Aí, volto à questão da memória infeliz e esclerosada do nosso país. Graças a ela, essa memória desmemoriada, Aylton Thomaz nos deixou no dia 10 de fevereiro passado em total anonimato, depois de longa internação no hospital Salgado Filho, no Méier. Faleceu em segredo. E não mereceu da nossa imprensa nenhuma nota. Nada saiu nos jornais e revistas. Nenhuma linha virtual na Internet, nenhuma voz nas rádios, nenhuma informação nos noticiários de TV. Absoluto silêncio dos meios de comunicação que Aylton Thomaz ajudou a construir, os mesmos que lhe dariam páginas inteiras se ele fosse um ex-BBB. Mas Aylton de Oliveira Thomaz não era uma celebridade. Era apenas e tão somente mais um desenhista brasileiro.