terça-feira, 22 de julho de 2008

Polêmica no Salão de Volta Redonda


Muita gente não gostou do resultado que apontou o caricaturista vencedor do 21º Salão de Humor de Volta Redonda, que aconteceu entre os dias 3 de julho a 3 de agosto.

Guidacci, Mayrink, Amorim e Caco Xavier, quatro dos nossos melhores desenhistas de humor, formaram o corpo de jurados que apontou a caricatura que retrata a figura do roqueiro Keith Richards, no traço de Luciano Irrthum, como a grande campeã da edição.

No site Brazil Cartoon (www.brazilcartoon.com), na seção scrapbook, pelo qual os cartunistas costumam postar suas opiniões e debater e, algumas vezes, se digladiarem, o chororô foi considerável. Boa parte dos colegas não aceitou a escolha de Irrthum, principalmente pelo estilo que foge completamente dos padrões atuais da caricatura.

De fato, Luciano Irrthum tem um desenho influenciado nas muitas vertentes das artes plásticas, o que difere muito do que estamos habituados a ver nas publicações especializadas, exposições e salões de humor. O artista usa e abusa do alto-contraste e das cores fortes. Para vencer este salão de humor, o ilustrador finalizou seu trabalho mostrando aquilo que ele entende como o universo do guitarrista Richards, um clima até certo ponto depressivo, o olhar perdido quase agressivo e o uso abusivo de drogas. A técnica é mista, típica dos artistas plásticos que enveredam para ilustração editorial. O desenho foi tracejado a nanquim, e as cores foram geridas com a mistura de cola branca e pigmento desses que usamos para pintar paredes, acrescentando ainda tinta dourada para artesanato em alguns detalhes da caricatura, resultando numa obra que, se vista de passagem, nos lembram as xilogravuras presentes nos cordéis nordestinos.

Independente do direito democrático de opinar, as reclamações registradas no site Brazil Cartoon me pareceram injustas e, até certo ponto, exageradas. Alguns participantes, demonstrando total desrespeito pela obra premiada, chegaram a intitulá-la como “lixo”, extrapolando qualquer senso crítico e de ética ao trabalho de um colega.

O prêmio, a meu ver, foi merecido. A obra de Irrthum é rica em detalhes. No site do artista, podemos observar uma série de belíssimas ilustrações coloridas, que mostram o profundo conhecimento do desenhista. Suas telas são belíssimas e exibem a maturidade de quem sabe o que está fazendo. Graças à visão democrática dos jurados do 21º Salão de Humor de Volta Redonda, tivemos a oportunidade de conhecer o trabalho consistente deste talentoso artista brasileiro.

Para ver o site de Luciano Irrthum, digite:

http://www.irrthum.com/.

4 comentários:

Luh disse...

Particularmente, não achei o resultado justo não.

Sequer do segundo colocado. Ambos os trabalhos pareceram amadores, ou muito alternativos, comparados com alguns dos trabalhos que sei que participaram e principalmente do ganhador do Prêmio para Caricaturista de Volta Redonda.

Agora, decepção à parte, a questão do gosto particular, sobre temática e estilo, dos jurados em questão conta muito, óbvio.

Para eles, esse Keith Richards aí foi a melhor caricatura da exposição.

Pra mim, nem de longe.

Alex disse...

afinal de contas o que é justiça
em salões de humor?
todos os trabalhos foram julgados ,escolhidos e premiados com total liberdade pelos jurados .
o problema é que se acostumaram a ver sempre os trabalhos de caricatura de uma só forma .narigão ,orelhão e tudo ão,
quando aparece alguem que se difere disto o mundo cai .
abraços.

Souza disse...

Zé de prima a tua coluna sobre o salão de volta redonda diferente do nosso "pseudo amigo"

Abraço Grande

Souza

Pat disse...

Os anos passam, mas a mentalidade dos artistas brasileiros não muda, pelo visto. Sempre com o cú na mão, desdenhando e ofendendo aquilo fora da panela deles, sempre se mordendo pela inveja pelo que chega a algum lugar e outros não.
A mentalidade é tanto arcaica que ainda se usa o termo "lixo" para depreciar a obra de alguém?! Pelo amor de Deus, que esse povo que se acha tão dotado divinamente de arte, que vá fazer um cursinho básico de História da Arte para aprender, ao menos, a ver uma obra.