A abertura acontece no próximo dia 27 de junho, às 20h
terça-feira, 25 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
De Kamilla Pavão para a exposição "Leila Diniz".
Aquarela da ilustradora Kamilla Pavão, colaboradora do jornal O Globo, que estará na exposição "Ela por Elas - Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras", a partir do dia 3 de julho, na Sala de Cultura Leila Diniz, em Niterói.
terça-feira, 18 de junho de 2013
O convite da exposição "Ela por Elas - Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras
Exposição "Ela por Elas - Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras
A inauguração acontecerá no próximo dia 3 de julho, a partir das 18 horas. A entrada é franca.
Sala de Cultura Leila Diniz: Rua Heitor Carrilho, nº 81, Centro - Niterói.
A inauguração acontecerá no próximo dia 3 de julho, a partir das 18 horas. A entrada é franca.
Sala de Cultura Leila Diniz: Rua Heitor Carrilho, nº 81, Centro - Niterói.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Márcia d'Haese na exposição em homenagem à Leila Diniz
Todos nós, religiosos ou não, crentes ou ateus, possivelmente
já tivemos em mãos, pelo menos uma vez na vida, algum material gráfico com
desenhos assinados por Márcia d'Haese. Nos anos 1980 fizeram enorme sucesso os
cartões com mensagens positivas do Smilinguido, personagem representado por uma
formiguinha preta direcionado incialmente ao público evangélico, mas que,
devido à forma democrática de suas mensagens, era consumido por seguidores de
outras religiões, entre eles católicos e até espíritas.
O tempo passou, a artista perdeu o personagem para uma
editora evangélica (num lamentável golpe nada cristão que eu prefiro não
comentar) e passou a desenvolver uma nova leva de personagens infantis com a
mesma qualidade.
Desde o ano passado venho trabalhando no projeto “Ela
por elas – Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras”, conforme o
título sugere, trata-se de uma exposição coletiva somente com mulheres
artistas. Evento criado para comemorar os dois anos de existência da belíssima
Sala de Cultura Leila Diniz, espaço que é administrado competentemente pela
Imprensa Oficial do Rio de Janeiro.
Quando comecei esboçar mais ou menos o que seria o
evento, fiz uma lista para selecionar os nomes das artistas e resolvi adicionar
Márcia d'Haese, mesmo sabendo que a atuação da artista é direcionada ao chamado
mercado editorial evangélico, coisa que nada tem a ver com o tema “Leila Diniz”.
Mas como eu considero que qualquer desenhista de talento pode arriscar e
mergulhar em outras águas... resolvi convidar esta notável desenhista. Trocamos
algumas mensagens via e-mail, até que a artista resolveu aceitar meu convite.
Como eu já esperava, Márcia d'Haese desenvolveu um
interessante desenho mostrando que seu lado artístico é tão interessante quanto
o que representa sua fé. Além do desenho, Márcia nos enviou também um
interessante texto comentando sobre a concepção de seu ótimo trabalho.
Num momento em que nossa sociedade vive um lamentável
entrave com demonstrações de intolerância religiosa e atitudes radicais que em
nada nos lembram os ensinamentos de Jesus Cristo, Márcia d’Haese nos deixa um
exemplo de que ainda podemos ter esperança de dias melhores e de convivência
pacífica entre as diferenças.
A seguir, o texto de Márcia d’Haese:
Quando Leila Diniz se foi deste mundo,
eu tinha 15 anos, na época, eu estava envolvida com o colégio, com música e com
atividades na igreja. Acho que hoje sei mais do que sabia sobre ela nos anos na
década de 60 e inicio da de 70.
Assisti alguns capítulos de novelas em
que ela atuou, também vi fotos e reportagens em jornais e revistas. Achava a
Leila muito bonita e um tanto ousada, mas não me detive na sua personalidade e
nem no que ela representou ao mundo feminino da época. Agora aqui estou, como
mulher, participando de uma exposição feminina onde Leila é o tema. Fui
procurar detalhes na internet, em programas de TV, em entrevistas. Entendo a
razão de ela ter
se tornado um mito. A gente vivia numa época cheia de repressão e a Leila Diniz
conseguiu se desvencilhar disso, a sua maneira tão peculiar, corajosa e
espontânea.
Desde que me entendo por gente, penso na
existência daquilo que não se vê concretamente. As coisas espirituais me
atraíram desde muito cedo. Meu pé no chão, mas minha alma olhava pra cima.
Imagino que algum dia, como a maioria das pessoas, a Leila tenha pensado em
Deus. A mídia informa que ela se desligou das coisas místicas, espirituais e
moralistas. Quem poderá saber qual o pensamento que ela teria sobre Deus, se
tivesse tido a oportunidade de viver até os nossos dias?
O desejo imenso de ser aceito e livre
para se expressar com todas as características físicas, psicológicas, emocionais,
é um forte desejo do ser humano, especialmente das mulheres de uma cultura
machista e autoritária. Esse ideal parece ter sido o ingrediente básico da
coragem e da ousadia, e também da alegria na maternidade que a Leila teve.
Ainda assim, eu entendo que Cristo honrou as mulheres, ao contrário dos
costumes da época. Ele as tem honrado até hoje. Nós, mulheres, também podemos
honrar o que Ele deseja para nossa vida, na essência do nosso ser, fazer,
buscar, sejam quais forem os tempos antigos ou modernos em que vivemos. Em
todas as sociedades, tem-se uma escolha: olhar pra cima, olhar pra si, ou não
olhar. Leila Diniz dirigiu o seu olhar, mostrou corajosamente seu pensamento, e
deixou um legado.
Neste desenho eu incluí dois dos meus
personagens: o vaga-lume, criativo, alegre, bem humorado (Spot), e o
pernilongo, crítico, intolerante, zangado (Buzz). Faz parte do trabalho que
desenvolvo na editora, onde produzimos as imagens e mensagens que são
distribuídas pra geração jovem. Esses personagens são ícones de aspectos
diferentes da nossa maneira de ver a vida. Exemplificam nossas escolhas.
Escolhemos e decidimos tudo na vida, buscando liberdade, identidade,
satisfação.
E se nossa mente e coração se surpreendessem com algo
novo, no momento crucial das nossas vidas? Uma descoberta, uma revelação do
amor incondicional de Deus que se fez ser humano? Há uma alegria dentro de mim,
em pensar nessa possibilidade. E se a Leila, eu, e muitas de nós, escolhendo
olhar pra cima, nos encontrarmos em outra dimensão? Se sim, certamente
estaremos lá, mais conectadas do que estivemos aqui.
Márcia d'Haese
Márcia d'Haese
quinta-feira, 16 de maio de 2013
É... eu sou mesmo um chato
O texto que apresento logo abaixo foi publicado no Jornal de Letras, nº 158.
Geralmente costumo exibir esses textos acompanhados das páginas digitalizadas para ilustrar melhor a postagem. Acontece, que descobri que não possuo a citada edição. Portanto, por enquanto, fiquem somente com o texto, que é o que realmente interessa.
_________________________________________________
Como costuma dizer o Adelzon...
Desde que eu me conheço por gente
carrego comigo um radinho de pilhas. Desde menino herdei de meu avô paterno o
hábito de ouvir rádio, especialmente as AMs.
No Rio de Janeiro, sempre que a
insônia ou a necessidade me obriga a ficar acordado, eu acompanho o radialista
Adelzon Alves, conhecido como o “Amigo da Madrugada”. Adelzon atuou por muitos
anos na Rádio Globo, depois, transferiu-se para a Rádio Nacional, onde está até
hoje. Entre as muitas frases que Adelzon costuma usar para defender suas idéias
sobre a cultura brasileira, a que mais me agrada é a que nosso país sofre
daquilo que ele chama de “síndrome de vira-lata”, que significa dizer que nosso
país elege o que vem de fora como o melhor, o ideal, o the best (olha eu aí não deixando o Adelzon mentir).
Em 2010, durante a realização da
Rio Comicon, feira de quadrinhos que aconteceu na Estação Leopoldina, eu estava
num ônibus a caminho do Centro da Cidade. Sentados a minha frente dois jovens
conversavam animadamente enquanto davam demonstrações de ansiedade, doidos para
chegar a tal feira e perseguir seus ídolos a busca de autógrafos. Um deles
abriu o cartaz do evento e passou a fazer comentários elogiosos ao autor do
desenho que ilustrava o impresso, no caso Milo Manara, desenhista e ilustrador
italiano que foi a atração naquele evento. O cartaz apresentava uma
bela e sensual morena de roupas curtíssimas, com braços abertos sobre a
Guanabara, numa clara alusão ao Cristo Redentor, nosso mais popular monumento.
“Só mesmo um gênio como Manara poderia ter tido uma idéia dessas!”, disse o
rapaz que segurava o cartaz. Eu ouvi a bobagem e fiquei na minha, com a língua
coçando doido para informar a dupla que gênio por gênio, um brasileiro chegou
primeiro, pelo menos 27 anos antes.
Acontece que em 1984, quando do
centenário do caricaturista J. Carlos, o saudoso Jorge de Salles organizou uma
das mais interessantes exposições de humor gráfico já exibidas no Rio de
Janeiro. Salles reuniu um timaço de caricaturistas para desenhar em homenagem a
J. Carlos, e o que se viu foram 20 desenhos assinados por artistas do quilate
de Alvarus, Borjalo, Caulos, Chico Caruso, Fortuna, Jaguar, Juarez Machado,
Lan, Mendez, Miguel Paiva, Nássara, Paulo Caruso, Zélio, Ziraldo e Millôr
Fernandes. Este último trouxe para seu desenho a famosa figura da melindrosa,
muitas vezes presente na obra de J. Carlos, e colocou-a de braços abertos no
lugar do Cristo Redentor adornada pela imagem do Pão de Açúcar. A idéia do
genial Millôr foi justamente mostrar que a obra de J. Carlos e sua consagrada
melindrosa trazem a marca de um Rio de Janeiro inesquecível, “de uma época
amável”, conforme afirmou o próprio Millôr ao apresentar seu desenho.
A obra de Milo Manara é,
obviamente, fantástica e indiscutível, mas a mania que nossos eventos
internacionais têm de supervalorizarem os artistas que vem de fora, provoca
esse tipo de situação. A ignorância dos dois jovens tecendo elogios rasgados ao
desenhista italiano, como se a ótima ideia fosse novidade é plenamente compreensível,
mas me irritam bastante a indiferença e desconhecimento dos organizadores ao
“esquecerem” que a tal idéia genial era velha e requentada. Mas é aquilo, mesmo
que algum dos organizadores lembrasse do desenho do Millôr será que iria dizer
ao Manara que aquilo não era novo? Talvez tenham apostado na amnésica memória
da nossa cultura e pagado pra ver. Afinal, quem se lembraria do desenho do
Millôr numa feira de quadrinhos? Só mesmo um chato como eu.
sábado, 27 de abril de 2013
Leila Diniz é tema de exposição em Niterói
![]() |
| Lindo desenho de Rose Araujo |
Amigos, colegas e fãs do desenho brasileiro...
Criamos uma página no Facebook para divulgar a exposição "Ela por Elas - Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras", evento que acontecerá no início do mês de julho.
Criamos uma página no Facebook para divulgar a exposição "Ela por Elas - Leila Diniz nos traços das desenhistas brasileiras", evento que acontecerá no início do mês de julho.
A ideia do projeto é comemorar os dois anos da belíssima Sala de Cultura Leila Diniz, que fica em Niterói.
Aos que realmente gostam de exposições que exaltam nosso desenho, convido a "curtirem" a página e acompanharem os trabalhos das 35 artistas envolvidas no projeto. Especialmente para os amigos que moram em cidades distantes e que, obviamente, não poderão comparecer ao evento, convidamos a seguirem a página.
Críticas e comentários são sempre bem vindos.
Aos que realmente gostam de exposições que exaltam nosso desenho, convido a "curtirem" a página e acompanharem os trabalhos das 35 artistas envolvidas no projeto. Especialmente para os amigos que moram em cidades distantes e que, obviamente, não poderão comparecer ao evento, convidamos a seguirem a página.
Críticas e comentários são sempre bem vindos.
Cliquem no link da página no Facebook e acompanhem os bastidores da exposição.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Jornal de Letras - Desenharte de fevereiro de 2013
Faz tempo...
Não me lembro exatamente em que
ano aconteceu o fato que passo a contar. Deve ter sido no início dos anos 1980,
quando eu ainda estudava desenho num dos cursos ministrados pelo cartunista
Jorge Guidacci. Eu queria desenhar e só pensava em começar a publicar minhas
caricaturas e cartuns – mas, obviamente, queria ganhar algum dinheiro com isso.
Um outro professor de desenho, o ótimo João Batista, com quem estudei antes de
conhecer o Guidacci, dizia sempre: “Desenhar de graça, jamais! Grátis, meu
filho, só sexo!” As duas referências desses sábios mestres me deram o
embasamento que tenho hoje sobre as questões que envolvem o mercado do desenho
editorial. De certa forma, tornei-me radical quanto a isso e acabei perdendo o
que para muitos poderiam ser as tais oportunidades.
Numa dessas vezes, peguei na rua
um tablóide desses que funcionam como jornal de bairro. Geralmente, são
fraquíssimos em conteúdo editorial, cheios de anúncios e artigos de qualidade
duvidosa, mas como circulam razoavelmente imaginei que poderia ser uma boa
chance para começar a desenhar profissionalmente. Bom, levei o jornalzinho para
casa e liguei para o número que aparecia no expediente. Sem dificuldades,
marquei uma visita ao editor e, já no dia seguinte, fui para lá levando embaixo
do braço um despretensioso portfólio repleto de cartuns e desenhos finalizados
a nanquim. Fui recebido numa pequena sala pelo editor e por sua secretária. O
tal editor, vestindo terno e gravata como um bem-sucedido empresário, passou os
olhos pelos desenhos e decretou que aquele era o meu dia de sorte, já que eles
estavam justamente buscando um desenhista para ilustrar o jornal. Sem demora, o
engravatado encomendou um pouco de tudo que um desenhista pode fazer:
caricaturas, cartuns, ilustrações e até uma tirinha de quadrinhos para a página
direcionada às crianças. Fechou meu portfólio, passou-o de volta para mim e
ficou me olhando como se esperasse um emocionado agradecimento. Como eu não
disse nada que se assemelhasse a um “muito obrigado”, o editor perguntou: “O
que foi, meu amigo? Não quer desenhar pro meu jornal?”. Eu, na minha santa
ingenuidade, fiz a temida indagação que todo espertalhão odeia ouvir: “E quanto
vocês vão me pagar por cada desenho?”. Aí, rolou aquele silêncio constrangedor.
O sujeito, com ares de indignação, arregalou os olhos, afrouxou a gravata rubra
e, salivando pelo canto da boca, perguntou: “Como assim, pagar? Eu, aqui, na
maior boa vontade com um iniciante, estou abrindo um ótimo espaço para a sua
arte e você ainda quer que eu te pague? Rapaz, muita gente quer este espaço
aqui. Sabia?”. Daí eu respondi: “Meu amigo, quem precisa de espaço é
astronauta, o que não é o meu caso. Eu preciso de dinheiro para pagar as minhas
despesas. Desenhistas também pagam passagens de ônibus, também se vestem e
precisam comer.”.
Depois da imediata e ríspida
recusa em desenhar de graça para o sabichão de gravata, levantei-me e dirigi-me
à saída, não sem antes perceber que a secretária tentava disfarçar um risinho
debochado. Então, antes de sair, olhei para a tal e disse discretamente: “Seu
patrão te paga para rir ou você faz isso apenas para conquistar seu espaço?”.
Rapidamente a jovem desmontou o sorrisinho irritante e passou a arrumar papéis
sobre a mesa. Então, fui para casa com a certeza de que perdi minha primeira
grande oportunidade... de fazer fama como otário disfarçado de desenhista.
X – X – X
Em dezembro de 2012 completei 50
anos e ganhei de presente uma caricatura assinada pelo ótimo desenhista Nei
Lima, que atualmente ilustra as páginas do jornal O Dia.
Eis aí, amigo leitor, uma das
boas vantagens em ser amigo de desenhistas talentosos: a gente sempre ganha
presentes criativos e exclusivos.
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