sexta-feira, 21 de maio de 2010

João...


O talentoso João Montanaro continua mostrando que não veio ao mundo só para passear. Vejam o cartunista mais jovem do Brasil no link http://vimeo.com/11524115

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Homenagem ao Glauco



De Dona Marta a Geraldão, exposição em homenagem ao genial Glauco, será inaugurada no próximo dia 8 de maio, às 16 horas, na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes (no Posto 6), Praia do Embaré, na bela cidade de Santos.
Participam da mostra os colegas Alex Ponciano, Aikau, Karras, Igor Villa, Ed Carlos, Jottas, Padron, Dodô, Elcio Prado, Eder Messias, Erico San Ruan, Mastrotti, Maurício Rett, Fausto Bergocce e Rico.
A produção ficou por conta do meus amigos Alex Ponciano e Viviane Rodrigues, e também da Narayana Mamede e Fábio Tatsubô. É visitar a exposição e depois pegar uma cor na praia.

sábado, 1 de maio de 2010

23° Salão de Humor de Volta Redonda


Já estão abertas as inscrições do 23° Salão de Humor de Volta Redonda.
A curadoria do evento é do heróico Alexandre Clemente, já o cartaz desta edição foi criado pelo Nei Lima.
Maiores detalhes no site oficial do salão no endereço: http://www.portalvr.com/cultura/noticias/salao_humor.php

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Concurso Folha


Folha abre concurso para novos ilustradores
Estão abertas inscrições de prêmio que vai eleger novo colaborador do jornal.
Candidatos têm até 30 de abril para concorrer em cinco categorias distintas: cartum, charges, quadrinho, caricaturas e ilustração

DA REPORTAGEM LOCAL
Já é possível se inscrever para a quarta edição do Concurso de Ilustração da Folha. Será a porta de entrada para a publicação de charges, quadrinhos e ilustrações no jornal para amadores e profissionais.
A competição contempla cinco categorias: cartum, charge, quadrinho, ilustração e caricatura. Serão premiados três trabalhos por categoria, todos publicados depois na Folha, sendo cartum o principal alvo.
Também haverá um vencedor geral do concurso, premiado com um contrato de colaborador do jornal por três meses. Candidatos têm até 30 de abril para se inscreverem e podem participar em quantas categorias quiserem (leia regulamento ao lado). Vencedores serão anunciados no fim de maio.
"A Folha tem bons profissionais nessa área, mas quer expandir o quadro de colaboradores, descobrir novos talentos", diz Fábio Marra, editor de Arte e um dos jurados do prêmio. Também integram o júri nesta primeira fase Marco Aurélio Canônico, editor do Folhateen, e André Barcinski, crítico de cinema da Ilustrada. A seleção final será do editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, e dos cartunistas Angeli e Laerte.
"A originalidade das ideias e do traço será um quesito importante, porque isso ajuda o trabalho a se sobressair. É uma associação de bons traços com boas ideias", acrescenta Marra.

Vencedores passados
Essa mistura já apareceu nos trabalhos enviados pelos vencedores das três primeiras edições, muitos deles hoje parte do quadro fixo de ilustradores do jornal. "Para mim, foi ótimo. Eu nunca havia trabalhado com ilustração. Sempre quis publicar na Folha e o concurso foi uma porta de entrada", lembra Adams Carvalho, que ficou entre os finalistas do concurso realizado em 2006. Ele ilustra agora a cada semana a coluna de Gilberto Dimenstein.
A primeira edição do concurso, em 1985, premiou a tira "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, até hoje publicada diariamente na Ilustrada, entre outros. Premiado na segunda edição, em 1999, Jean também faz até hoje charges políticas publicadas em Opinião, a página de editoriais do jornal.
"É muito disputado esse concurso. É você alcançar mesmo um ponto de amadurecimento na carreira", lembra o chargista Jean. "Antes, eu publicava em jornal do interior, mas, quando você passa para a grande imprensa, muda um pouco, você sente que aquele espaço tem mais responsabilidade."
Como todo vencedor do concurso, Jean ficou três meses iniciais colaborando com o jornal, segundo prevê o prêmio, mas não parou desde então.
Milhares de candidatos participaram das últimas três edições do concurso -foram 1.510 em 2006. Entre vencedores anteriores, também está João Spacca, que fez charges no jornal por quase dez anos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sugestões sobre o caso Zetti


Transcrevo a seguir outra mensagem enviada pelo Gualberto sobre o caso Zetti. Conforme o internauta pode ver, começam a surgir algumas sugestões.

Antes de dar o próximo passo, resolvemos abrir um pouco mais a discussão entre os colegas. Aqui estão algumas opiniões já enviadas.
Aguardamos o seu parecer!!

LAERTE
Acho que, se não enfiarmos um pouco mais o pé na porta, nosso movimento é que vai esvaziar e perder credibilidade.
Acho que devemos propor um boicote ao salão deste ano.
E, Gual, Jal e Orlando - parabéns pela realização do abaixo-assinado.

CAU GOMEZ
Que situação! resistimos até mesmo aos "censores" da ditadura e agora, este infortúnio.
queria saber se não era interessante nós contactarmos o CQC. eles tem feito coisas interesasnte e seria um prato cheio para desbancar estes péssimos gestores.
bem, ficarei atento.
sorte pra nós. Abraço grande!

SONIA LUYTEN
Acredito que este descaso da Prefeitura e demais órgãos referentes ao salão de Piracicaba devam ser pagos com a mesma moeda: DESCASO.
A primeira estratégia:
Acredito que a melhor maneira de fazê-los entender - por esta vez - é esvaziar o salão não enviando trabalhos para este ano.
Proponho-me a redigir uma carta em inglês à FECO e outros salões internacionais e demais associações do exterior para que os artistas não enviem este ano seus trabalhos para Piracibcaba.
A segunda estratégia:
Fazer ao contrário: enviar trabalhos de charges, cartuns, HQ e caricaturas de todo país e do exterior que falem, contem, expliquem para a comunidade nacional e internacional o descaso das autoridades locais
Nossa força consiste em dois segmentos: esvaziar ou entulhar de trabalhos alusivos ao tema deste ano. Vamos agir!

RENATO STEGUM
Acredito que frente à essa falta de consideração com
nosso protesto, esteja mais do que na hora de iniciar
uma campanha para um protesto relevante como por
exemplo o boicote geral ao salão desse ano.
Ou uma mobilização para que os trabalhos todos que
sejam enviados ao salão sejam sobre o assunto Zetti,
assim como os vários cartuns e caricaturas já feitos
sobre o caso.
Temos que tentar um esforço grande para chegar
diretamente onde a água vai bater na bunda, ou seja,
a participação no próprio salão.
Minhas sugestões:
- mobilização para um boicote geral;
- mobilização para trabalhos somente sobre o tema,
protestando mesmo.
Senão, penso que vão seguir em frente fingindo que
nada aconteceu, o que eles tem feito desde o
episódio, até a realização do salão para tentar
"abafar" o caso.
Acredito que precisamos agir mais radicalmente agora
nesse segundo momento, após a carta de manifesto. O
tempo está ficando curto.
O que acham?
Forte abraço.

SPETT
Gual, obrigado pelo email e conte comigo 110% no que precisar para trazermos a Zetti de volta ao Salão.
Caso contrário, conte comigo também em 110% para ajudar a esvaziar o salão se isso não ocorrer.

GOZZO
Já deixei minha opinião no fórum do Brazilcartoon, mas infelizmente o
foco daquele fórum mudou...
200 cidadãos pode parecer pouco para a prefeitura de Piracicaba, mas 200
CARTUNISTAS, muitos deles reconhecidos internacionalmente, são uma força
inquestionável. ..
Minha Sugestão, como postei lá, é entrar no site do CQC, onde tem um
link para o quadro "Proteste Já" e descrever o caso da Zetti como
sugestão de pauta para o programa, valorizando a ideia, que realmente
renderia uma boa matéria, pois o salão já homenageou inclusive os
próprios integrantes do programa, etc...

BETÂNIA
Parabéns pela união, esperamos que seja resolvido o absurdo causado pelo governo do estado.

SÉRGIO GOMES
O que poderia acontecer se nas tiras do Laerte, do Angeli e de outros começasse a " surgir " uma frase solta tipo "Cadê a Zetti do Salão de Piracicaba ? " ? Penso que os cartunistas e quadrinhistas podiam utilizar os meios públicos de que dispõem par dar eco a essa campanha que só vem acontecendo " interna corporis ".

Aqui está a carta que Sérgio Gomes da Oboré enviou ao jornalista Ricardo Viveiros, Presidente da Conselho Consultivo do Salão Internacional de Humor de Piracicaba e Diretor da FIESP- Federação das Indústris do Estado de São Paulo. Vamos aguardar a resposta e quanto a pergunta, que todos devem estar fazendo: “O que um diretor da FIESP está fazendo na presidência do Conselho do Salão? Nós também não sabemos a resposta, só a atual administração da prefeitura de Piracicaba sabe dizer!
“Ricardo Viveiros
O que você tem feito ultimamente para corrigir essa injustiça da exoneração da Zetti ? Vou entrar nessa briga, disparar algumas flexas daqui e não queria acertar em alvos inocentes.
Me conta como você tem ajudado a desenbaraçar esse imbroglio.
Um abração Sergio”

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CARTUNISTAS AINDA ESPERAM POR UMA RESPOSTA DA PREFEITURA DE PIRACICABA


Texto transcrito de e-mail enviado por Gualberto Costa (foto)

Caros desenhistas e signatários da carta enviada ao prefeito e vereadores de Piracicaba,

A exoneração, de uma forma inadequada e desrespeitosa, da diretora Maria Ivete Araújo do Salão de Piracicaba depois de 30 anos de atuação, fez com que três entidades de classe e mais de 228 cartunistas, enviassem uma carta ao Sr. Prefeito Barjas Negri em janeiro deste ano. Estamos no final de março e não tivemos um retorno sequer da prefeitura.

Entramos em contato com a Comissão de Consultoria do Salão, criada há três anos, para encontrar uma forma de diálogo. Fomos ouvidos pelo presidente da Comissão, Ricardo Viveiros, e a resposta obtida foi que a secretária de cultura da cidade foi a responsável pela exoneração. Em entrevista à imprensa (jornal) a secretária disse que foi a Comissão quem exonerou a Zetti. Ouvimos também que o prefeito nos havia enviado uma resposta mas que o e-mail havia se perdido (sic). Mesmo depois de reenviarmos a carta não recebemos uma única resposta sequer demonstrando o descaso para com os cartunistas que sempre se empenharam em fazer um Salão maior e melhor .

A representatividade de nossa carta é incontestável e a estamos enviando novamente aqui em anexo a todos os signatários além dos nomes e da participação de cada um na história do Salão.

O Salão já sobreviveu à diversas gestões e isso vai continuar acontecendo. Felizmente. São 37 anos de história e nunca houve um abaixo-assinado como o que enviamos.
Não há dúvidas de que os cartunistas são parceiros dos Salões já que dão o conteúdo aos mesmos. O cartunista é a razão da existência de qualquer salão do mundo e deve ser respeitado por isso. Discursos, promessas e palavras bonitas no palco das festas de abertura do evento tornam-se fumaça frente aos fatos e cientes desse descaso por parte do Poder Público, é importante que continuemos nosso protesto.
O inexplicável silêncio por parte da Prefeitura de Piracicaba pode e vai causar o esvaziamento e a inevitável falta de credibilidade do salão. Credibilidade essa construída ao longo de anos de dedicação de pessoas preocupadas, não com votos, mas com a cultura da cidade e do país.
Atenciosamente,

ASSOCIAÇÃO DOS CARTUNISTAS DO BRASIL (ACB), POR JOSÉ ALBERTO LOVETRO, o Jal

INSTITUTO MEMORIAL DE ARTES GRÁFICAS DO BRASIL (IMAG), POR GUALBERTO COSTA

SOCIEDADE DOS ILUSTRADORES DO BRASIL (SIB), POR ORLANDO PEDROSO

LISTA DOS SIGNATÁRIOS:
ADÃO, AIRON, ALAN SOUTO MAIOR, ALBERT PIAUI, ALCY, ALMEIDA, AMORIM, ANDRÉ BROWN, ANDRÉ DINIZ, ANDRÉ VALENTE, ANGELI, ATTILIO, AUDÁLIO DANTAS, ADAIL, ADAM RABELLO, ALAFIA, ALEX PERISCINOTO, ANA VON REUBER, ANDRÉ MARANGONI, ANTÓNIO ANTUNES, ARIONAURO, BAPTISTÃO, BENETT, BIRA, BIRATAN, BRUNO LIBERATI, BETO FRANÇA, BRUNO AZIS, CAIO YO, CARCAMO, CARLUS, CARRIERO, CASSO, CAU GOMEZ, CESAR FREITAS, CIVAL EINSTEIN, CLAUDIO MARTINI,CLÉRISTON, CUSTÓDIO, DACOSTA, CACO GALHARDO, CARLINHOS, CARRIEIRO, CARVALL, CELSO MATHIAS, CLAYTON RABELO, DANIEL ESTEVES, DANIELA BAPTISTA, DIL MARCIO, DINO ALVES, DIOGO SALLES, DOUGLAS QUINTA REIS, Dra BETÂNIA LIBANIO, Dra SONIA LUYTEN, DÃO, DANIEL BUENO, DÊNIS MENDES DE MORAES, DIOGO D’AURIOL, DODÔ, Dra WALDOMIRO VERGUEIRO, DUAYER, DUKE, EDGAR VASQUES, EDRA, ELOAR GUAZZELLI, EMILIO DAMIANI, EMMAN, ÉRICO ASSIS, EDU MENDES, ELDES DE PAULA, ELIFAS ANDREATO, ERDOGAN KARAYEL, EVANDRO SANTO (CHRISTIAN PIOR), FABIO SALES AGNATI, FERNANDES, FERNANDO COELHO DOS SANTOS, FLAVIO LUIZ, FLOREAL, FRED, FABIO G. DA SILVA BRAGANÇA, FERNANDO GONSALES, FERRETH, FRAGA, GUALBERTO COSTA, GENIN, GLAUCO, GRACE GIANOUKAS, HUMBERTO PESSOA, HUMBERTO YASHIMA, IEIO, IQUE, IVALD GRANATO, IVAN COSENZA DE SOUZA, IZIDRO, JAL, JBOSCO, JEAN, JÔ OLIVEIRA, JOÃO LIN, JORGE BARRETO, JORGE INACIO, JOTAA, JOZZ, JUNIÃO, JUNIOR LOPES, JAYME LEÃO, JESSÉ, JOÃO MONTANARO (com a autorização do pai), JOSY BRITO, KLEVISSON, KIM, KLEBS, KOBLITZ, LAERTE, LAUDO, LEANDRO ROBLES, LELIS, LUIS FERNANDO VERÍSSIMO, LUIZ CARNEIRO, LARISSA LEAO, LAZ MUNIZ, LEANDRO BIERHALS, LEZIO JUNIOR, LOUIS CHILSON, LUCAS LIMA, LUIGI ROCCO, LUIZ GÊ, LUTE, MACHADO, MANGA, MARCELO ALENCAR, MARCELO RAMPAZO, MARCIO BARALDI, MARCOS GARUTI, MARCOS VENCESLAU, MARINGONI, MASTROTTI, MAURICIO RETT, MAXX, MICHELLE RAMOS BARBOSA, MINO, MIRAN, MORETTINI, M. ERASMO, MANOHEAD, MARIA HELENA CORRÊA PINHO, MARIAN AVRAMESCU, MARIO VALE, MARIANO, MÁRIO LATINO, MAYRINK, MELLO, MISSO, MIGUEL PAIVA, MOA, MOISÉS, NEI LIMA, NANI, NICO, NOBU CHINEN, NOVAES, OMAR VIÑOLE, ORLANDELI, ORLANDO, OGUZ GUREL, OMAR ZEVALLOS, OSVALDO MACEDO DE SOUSA, PAFFARO, PAULO BRANCO, PAULO SETUBAL, PAULO URSO, PELICANO, PEIXE, PESTANA, QUINHO, RAPHAEL FERNANDES, RAY COSTA, RENATO LEBEAU, RENATO STEGUN, RICARDO SOARES, RICKY GOODWIN, RICO, ROBERTO RIBEIRO, RODRIGO ROSA, RÔMULO, RONALDO CUNHA DIAS, RUCKE, RAFAEL CORRÊA, RICARDO VILELA, RICE, SANTIAGO, SERGIO GOMES, SERGIO MÁS, SIDNEY GUSMAN, SOLDA, SPACCA, SPETT, SAADET YALCIN, SALVADOR,SAMUCA, SAM HART, SANDRO MELO, SILVANA MARQUES, SILVIO ALEXANDRE, SIQUEIRA, TONI DAGOSTINHO, TURCIUS, THAIS LINHARES, TCHABA, TUCO, VERDE, VERONEZI, VANESSA ALEXANDRE, VILANOVA, WILSON FIGUEREDO, WILL, WILLIAM MEDEIROS, ZÉ ROBERTO, ZIRALDO, ZUENIR VENTURA, XIAOQIANG HOU e 1000TON.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma caricatura por uma gorjeta

Quanto paga uma editora que não é de bronze, não é de prata e nem é de ouro
Há tempos escuto histórias sobre as péssimas condições de trabalho de boa parte de nossos desenhistas. Quer sejam eles cartunistas ou ilustradores, a maioria vive se queixando do quanto as editoras pagam por um desenho.
Entendo que a queixa é velha. Porém, espanta-me o fato de saber que algumas editoras insistem em pagar valores abaixo da crítica, mesmo quando aparentemente vendem bem suas publicações. E espanta-me mais ainda o fato de muitos dos nossos desenhistas aceitarem valores tão acachapantes.
No Rio de Janeiro, existe uma dessas editoras que têm a petulância de oferecer a bagatela de R$ 35,00 por uma caricatura. O leitor não entendeu errado. Estamos falando mesmo de R$ 35,00. O ridículo valor deveria ser estudado e divulgado pelo Guinness Book como recordista absoluto na categoria farinha-pouca-meu-pirão-primeiro. Importante ressaltar que a tal editora não é pequena nem alternativa. Na verdade, trata-se de uma das maiores empresas do País, que adquiriu há pouco tempo duas outras famosas editoras cariocas. Essa editora tornou-se famosa por jogar nas bancas de jornais dezenas de revistas especializadas em passatempos. Além disso, possui muitos títulos de livros, alguns famosos e sabidamente com boa vendagem. Trata-se, portanto, de uma editora de grande porte que possui, inclusive, um parque gráfico em plena atividade, pelo qual terceiriza serviços de impressão e acabamento de livros e revistas para outras empresas do ramo. Obviamente que qualquer leitor, por mais leigo que seja, mesmo que nunca tenha completado um jogo de palavras-cruzadas na vida, sabe a qual editora estou me referindo.
Dia desses, tive acaloradas conversas com alguns dos colegas que colaboram com a tal editora. Eu não consigo entender por que um artista de talento e com alguma experiência de mercado aceita um valor como esse. Durante essas conversas, um dos colegas tentou se justificar dizendo que o mercado anda tão ruim das pernas que é melhor trabalhar por valores ridículos do que não trabalhar. Então, fica combinado assim: para não deixar de trabalhar, parte de nossos caricaturistas aceita desenhar por R$ 35,00! Outra justificativa defendida por um segundo colega afirma que, se a gente não aceitar os imorais R$ 35,00, outro profissional chega e acaba pegando o serviço. Então, fica combinado assim: trabalhar para a tal editora é como se fosse uma corrida de otários travestidos de desenhistas. O bobo que chegar primeiro pega o trabalho. Convenhamos: desenhar por 35 merrecas é coisa de trouxa mesmo.
Em outra conversa com um terceiro colaborador (ou seria trouxa?) da tal editora, o desenhista afirma que está apenas montando seu portfolio. Quer dizer, o cartunista aceita trabalhar pelos absurdos R$ 35,00 para poder apresentar no futuro um portfolio para outras editoras. Se eu, que não atuo na tal empresa especializada em publicar revistinhas de passatempos, conheço os valores nojentos que eles pagam por uma caricatura, logicamente que outros editores também devem saber. E é claro que, ao mostrar um portfolio com trabalhos publicados na citada editora, o infeliz desenhista será facilmente identificado e taxado como uma espécie de “Ricardo Eletro” do desenho. O que contamina todo o mercado editorial. Ou alguém aqui acha que um desenhista que aceita produzir um traço qualquer que seja por 35 irreais sabe negociar seu trabalho pelo fato de estar conversando com outra editora?
Outra tese defendida por um desses colegas é que, publicando na esperta editora, o desenhista pode adquirir fama e consagração no mercado editorial e, assim, será lembrado para realizar outros trabalhos. Balela total. Que eu saiba, nenhum desses colegas é conhecido como o Fulano da tal editora, como acontecia nas publicações de O Malho, Careta, O Cruzeiro, Mad e O Pasquim, cujas marcas se confundiam com as chancelas de alguns de nossos principais desenhistas.
Estas linhas não pretendem servir de crítica à tal empresa que todos os meses, há mais de trinta anos, joga nas bancas de jornais dezenas de revistinhas de passatempos. A minha bronca é mesmo direcionada a esse grupo de colegas de trabalho que, de certa forma, ajuda a prejudicar nosso capenga mercado editorial quando aceitam desenhar por inúteis R$ 35,00. Entendo que esses desenhistas façam na verdade o papel de garçons que entregam seus desenhos numa bandeja de lata, já que 35 pilas por uma caricatura se caracteriza mais como uma gorjeta do que um pagamento.
Que me perdoem os garçons, que não são nem um pouco bobos quando se trata de pagamento, mas a comparação foi inevitável. Por falar em garçom... Me deu uma vontade imensa de ir até o Largo do Machado, entrar no Lamas e pedir um “coquetel”. Saúde!